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De
acordo com o historiador Diogo de Vasconcelos a descoberta do ouro
no Ribeirão do Carmo em 1696 foi o ponto de partida das cidades
de Ouro Preto e Mariana. O coronel Salvador Furtado de Mendonça
teria sido o descobridor desta riqueza e seus filhos – um
pouco mais tarde, em 1704 – teriam encontrado o Ribeirão
dos Prazeres na sua busca por novas lavras de ouro e batizaram a
região como Lavras Novas. O vilarejo se
desenvolveu em lugar ensolarado e elevado e conserva até
hoje o nome dado em sua descoberta, informação que
pode ser constatada por meio da cartografia da época.
O controle das terras funcionava no sistema de sesmarias (grandes
porções de terras eram entregues a quem se dispusesse
ao cultivo, dando em troca à Coroa uma sexta parte da produção).
Os registros destas terras eram feitas pela Igreja, que à
época encontrava-se unida oficialmente ao Estado, por meio
de seus párocos e vigários. Assim, Lavras
Novas se desenvolveu ao redor da Capela de Nossa
Senhora dos Prazeres, construída em 1762.
A historia nos conta que, com escasseamento do ouro na região,
centenas de escravos foram alforriados, já que seus senhores
não tinham mais como mantê-los. Alguns destes escravos
libertos permaneceram em Lavras Novas, formando
suas famílias – os Correia Maia, os Alves Viana, os
Lessa, os Azevedos, os Coelho Magalhães, os Rocha, entre
outros – buscando a sobrevivência com o plantio do chá
(na antiga Fazenda do Manso), artesanato de taquara, carvão
e na exploração da madeira para a venda de lenha.
Na
década de 60, empresa de alumínio Alcan, depois de
uma acirrada disputa com a comunidade oficializou a doação
das terras para a mesma. Existe, na comunidade uma Mesa Administrativa
– a Irmandade de Nossa Senhora dos Prazeres
que é a represente dos moradores nativos perante os órgãos
legais.
Foi na década de 80, que algumas pessoas foram descobrindo
Lavras Novas com destino turísticos, encantadas
com a beleza da região, o clima, a tranqüilidade e o
acolhimento oferecido pelos moradores. Um antigo habitante conhecido
como Sr. Oscar Rocha, prevendo o crescimento do lugar, começou
a construir novas casinhas para vender aos novos visitantes, ansiosos
por um pedaço de terra no paraíso. Ele também
foi responsável por criar algumas lendas e causos, gerando
a polêmica de que aqui teria sido um quilombo. Há uma
grande dificuldade de se constatar, ou mesmo mais informações
a respeito do lugarejo, hoje distrito de Ouro Preto.
A exuberância da natureza é fácil de se ver.
Mas a magia de Lavras Novas esta ligada a este
povo sorridente, aos casos e mistério que este lugar abriga,
ao cheiro da candeia queimando nos fogões à lenha.
A duas boas maneiras de conhecer Lavras Novas
e seu povo: andando pelas ruas dizendo bom dia a todos que passam
ou fazendo uma caminhada à Serra do Trovão, só
para sentar em uma pedra e ver a terra lá de cima.
Bom passeio!
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