LENDAS

Muitas são as lendas que povoam o imaginário de Lavras Novas. Elas falam de cavalos prateados sem cabeça, de aparições de uma mulher vestida de branco, de Alzira – uma mulher que teria vivido em uma gruta – e ainda de um eremita que teria habitado a Serra do Trovão (também conhecida como Buieié). Tudo isso pode ter sido fruto da imaginação, em uma época em que não havia luz e uma sombra poderia sugerir figuras e gerar fantasias...

Quase todos os nativos de Lavras Novas são católicos, mas sendo a maioria descendentes de africanos, não é de se espantar quando percebemos algum traço de sincretismo religioso.

Mas, também na literatura, as lendas de Lavras Novas deram o que falar – o escritor Bernardo Guimarães conta em seu livro "Lendas e Romances" essa história de Lavras Novas: uma jovem chamada Lina se apaixona pelo filho do guarda-mor e, com ele, inicia um romance. Ela deixa a sua casa e vai viver com ele. Em pouco tempo, o rapaz se desinteressa pela moça e ela, por vingança e desespero, começa a levar, pouco a pouco, o ouro do amado e para jogá-lo num boqueirão chamado "Garganta do Inferno".

Lina volta para casa, pede desculpas para sua mãe, mas não consegue suportar o seu infeliz destino e se atira na Garganta do Inferno. Sua mãe, desesperada, faz o mesmo. O rapaz, enlouquecido, desaparece.

Um primo de Lina – Daniel – vai até o bispo e pede o exorcismo do local. O bispo autoriza e ainda pede à população que aterre o local e construa ali uma igreja em homenagem a Nossa Senhora dos Prazeres.

A população assim o faz. Daniel manda escrever em frente a igreja um "S" que, segundo dizem, quer dizer segredo. Conta a lenda que, quem pisar neste local à meia noite, afunda, indo parar na "Garganta do Inferno". Alguém se habilita a experimentar?

Jonas Bloch

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